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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

ABERRAÇÃO

Por Guiomar

Eu a conheço!
Portal ornado que seduz a entrar.
Passagem para lugar nenhum.
Descaminho de porta invertida.
Fonte de água límpida, que não sacia.
Farto banquete de delícias plenas.
Virtual, anormal.
Surdez crônica para o Amor.
Sedutor lugar de repouso vazio.
Ausência do Bom e do Bem.
Inalcançável Arvore da Vida.
Realidade invertida.
Visão cega no espelho da desimagem.

ENQUADRAMENTO

Por Rita de Cássia Alves

A ferrugem entra pelos poros e cria o ser metálico.
Desentope as artérias do verde e dos dedos salta a hera.
Era de falanges que apodrecem, mas aparecem máquinas.
Misto de musgo e fuligem, corpos se debatem e são triturados.
Para onde vamos nós, os enlatados, criaturas quadradas, cifradas, 
ameaçadas pela engrenagem?
Estamos à mercê no mecânico dos dias.
Desviamos a rota e o arroto dos canos de escape nos engolem.
Há mais fios desencapados do que a memória suporta:
não cantamos, urramos!
Permitimos que o óleo fique corrosivo e mate a pele-sentimento, 
este animal dentro da gente.


DUAS FACES

Por Rafaela S

Seus olhos te entregam. Não negue!
A carranca que tinha por todo esse tempo se foi.
E me mostrou o que de mais podre conheci até hoje.
Não consigo sequer olhá-lo, 
Uma mera presença sua em meu pensamento
E sinto minhas vísceras na garganta.
Duas caras, miserável!
Não imagina o quanto é grande a minha vontade
De te ver inundado no seu próprio sangue. 
Sangue que quero tirar de suas veias, 
e senti-lo escorrer pelas minhas mãos.
E assim, olhar pra ti com a alegria
E ter a certeza de que não fará isso com mais ninguém.

SEM TÍTULO

Por Tabita M.

Uma melosa noite escura. 
Sento-me na cama. 
Pequenos estalos no ouvido me fazem lembrar que continuo insone.
Abraço meus joelhos, 
acendo a luz do abajur 
por um tempo contemplo a quietude da alma. 
E então, com o balanço da minha respiração, 
encontro um pequeno ponto de paz, 
um minúsculo equilíbrio 
e permito-me delirar.

CENÁRIO ÍNTIMO

Por Rita de Cássia Alves

Há um quadro latente nos meus olhos.
Sorrateiro, brinca com a Íris de uma retina cansada.
Descansa por entre bancos no jardim do agora.
Ler no paraíso das cores é se apoderar de todas as molduras.
Inventar um reduto em que o corpo viaje nas letras, move o impulso 
de quem se julga encantado.
Não há quem dele se aproprie sem inventar um outro pincel.




UTOPIA

Por Rafaela S.

Acordei, desconheço este lugar.
Sinto-me tonto e tenho a impressão de que estou fora de meu corpo.
Estão me levando. Quem? Não sei. Para onde? Não sei.
 Já não enxergo mais nada. Minha mente gira em alta velocidade.
Quando novamente consigo enxergar, estou no mesmo lugar estranho onde acordei.
Caminhos divergentes, paredes confusas, não há mais ninguém aqui.
Será um sonho? Não sei. Será a morte? Não sei.
Percorro os caminhos onde estou, mas percebo que não saio do lugar. A única coisa que encontro
é um cão falante, se alimentando como gente.
Caio em mim, está demais,  é hora de parar.


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O ADEUS

Por Jonatas Rubens Tavares

Deu adeus porque partindo iria crescer
Deu adeus porque assim iria se esconder

Deu adeus porque perto o sofrimento era grande
Deu adeus porque a felicidade estava longe

Deu adeus porque não conseguia mais viver
Deu adeus porque ali o passado estava a corroer

Deu adeus porque não queria mais ficar
Deu adeus porque quanto mais cedo partisse, mais cedo iria retornar.



LADRÃO DE SONHOS

Por Rafaela S

Estou possuída pelo diabo,
O ódio percorre minhas veias no ritmo acelerado do meu coração.
Porque? Parecia algo legal, afinal, ele era legal.
Vagabundo! Tomou de mim meus sonhos, minhas fantasias.
Um dia, eu ainda irei reencontrá-lo,
Farei ele sentir tudo o que eu senti quando me deixou.

ANÁFORA

Por Gerson Dalla Corte

Dormi.
Acordei de madrugada
ao me virar.

Não dormi.
Cochilei.
Ao acordar, já era tarde
pra dormir.

Zumbi.
Acordei no meio da tarde
ao levantar-me
da cadeira.

Acordado
fui pra casa
pra dormir.

Mas acordei de madrugada.
Zumbi ao me virar.
Percebi no meio da tarde
que já era muito tarde
pra mudar.

INATINGÍVEL

Por Jonatas Rubens Tavares

Agora que estou meio morto
Imerso em profundo torpor
É doído perceber
Que não me dói mais a dor

Um tapa, um soco
Toda a maledicência
O escudo me protege de tudo
Do mal não tenho ciência

O convívio em sociedade
Não deve envolver sentimentos
Quem vai contra isso
Lança cuspe contra o vento

Nada poderá me perverter
Onde estou sou inatingível, inalcançável
Tão só e aprisionado
Quanto quem paga crime inafiançável



terça-feira, 6 de agosto de 2013

MUNDO INSANO

Por Rafaela S.

Sinto-me preso.
Preso em mim mesmo.
Preso pelo mundo.

Já não sigo meus próprios desejos.
Sigo no compasso regido pelo todo.
Sigo no caminho gasto dos outros.

Sinto-me sufocado.
Sufocado pela rotina e monotonia.
Já não reajo naturalmente.

Mundo quadrado,
Mundo padronizado,
Mundo desconhecido.


TARDE DEMAIS

Por Rafaela S.

É tarde da noite, não consigo dormir.
Perco-me em minhas lembranças.
Sinto uma suave lágrima percorrer minha face.

Ah! Que saudade...
Como pode confortar-me mesmo não estando ao meu lado?
Fecho os olhos e inexplicavelmente sinto o calor de seu abraço.

Daria tudo para te ver apenas mais uma vez.
Se eu pudesse voltar no tempo...
Te diria tudo, tudo que está espremido em meu coração.

Nunca te disse, mas te amei.
Ainda te amo e sempre te amarei.
Momentos vividos invadem minha consciência.

Como era bom, como me fazia bem.
Será que você pode me ouvir, seja lá  onde está?
Não sei...

Ah! Que saudade...
Saudade de seu afago antes de dormir.
Saudade das histórias, saudade de você.
Sinto muito.


LUGAR ALGUM

Por Gerson Dalla Corte


Eram seres
de sons estranhos,
de vidas tortas,
lugar algum.

Parecia,
mas não era um sonho.
Era o delírio
do cão bebum.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

MEU LUGAR NO MUNDO

Por Jênifer Aline Secco

Um porto seguro
O lar, doce lar
O abrigo durante a guerra
Um sentimento maduro
O jeito certo de amar
Minha felicidade na Terra
Seu abraço
Meu espaço
Você


DEPOIS DAS SETE

Por Walter M. Ziebarth

Fechem as cortinas!
Aqui jaz a última nota
daquela orquestra desumana
que se desvia da rota
E assim a noite acaba
sem som, sem tom, sem nada
E amanhã, nessa mesma hora,
eu chego, sento, sofro e vou embora.

terça-feira, 30 de julho de 2013

SEIS

Por Walter M. Ziebarth

Seis foram os segundos que fizeram me apaixonar por você.
Seis foram os minutos até eu descobrir que você é que era a pessoa certa pra mim.
Seis foram os longos dias até eu, finalmente, ser seu para o resto da vida.
Seis, seis, seis. 
Dizem que esse é o "Número da Besta".
Hoje vejo que pode ser verdade.
Pra que pessoa mais besta de amor do que eu?

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O PERIGO MORA AO LADO

Por Jênifer Aline Secco

O perigo mora ao lado
Cuidado!
Tanta violência
Nesse mundo
Que minha crença
Se esvai por tudo
Cárcere privado
Dentro da casa, dentro da mente
A tia, o cunhado
Com quem você tem falado
Todos são suspeitos
Não há inocentes
Todos temos defeitos
Medo- sentimento intenso
O perigo é você mesmo
Ser tão indefeso

sexta-feira, 17 de maio de 2013

NECESSIDADE

Por Camila Zoellner 

Quando teu olhar encontra o meu
Fala o que nenhuma língua é capaz de entender
É a língua do amor, aquela que faz os olhos brilharem
O coração bater rapidamente, o corpo tremer

Sussuras bem baixinho em meu ouvido
Sinto coisas que não sei explicar
Eu preciso de você aqui comigo
Como eu preciso de oxigênio para respirar

terça-feira, 14 de maio de 2013

SENSATO SONÍFERO

Por Johnny Leal

Suas mãos tocam o chão sujo
Do fundo desse poço úmido...
Qualquer sensação é mera ilusão,
Não respirar só irá piorar...

As paredes parecem cada vez mais altas,
O limbo é de um terceiro nível
Tão atormentador quanto sua voz aguda.

Cala a boca, não seja hipócrita...
Pseudo-humano, nem isso tu és!

Que criatura sorri enquanto chora?
Por que uma mente tem que existir?
Suas mãos ainda sujas e mais lacrimosas
Não explicam o tato desse sentimento.

Mundo mudo muda minha maior maldição,
Caminho calado, cruel calmo caminho...

Sentido não faz, se é que um dia fez!
Diagramação universal de pensamentos,
Que definição pobre buscar respostas
Para perguntas que são retóricas...

Não pense que esta mente aqui, podre mente,
É insana ou perturbada por falsas filosofias...
Cada qual com sua visão paralela do viver!

Meu viver agora é expulsar demônios
Cujos ditados são tão fracos quanto sua presença!
Não faz sentido, sentimento ruim agora,
Sim, tu sentes uma péssima sensação...

Quem dera a todos escreverem sem pensar,
Sentir o imediato e permitir tal liberdade...
Sentido não faz, pode ser que não faça,
Mas agora, é tudo o que me faz escrever. 
Sentido sensitivo sensato sonífero.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

ETERNIDADE

Por Walter M. Ziebarth

Ir e vir
O eterno andar do infinito
Por debaixo dos panos a vida castiga
E o Sol, que ali iluminava,
hoje dá as costas.
Ideias, ideias e mais ideias.
Pensamentos vãos não abrem parênteses
Luto por um futuro incerto. 
Certeza mesmo, só você. O que pra mim já basta.
Dizem que nada é demais quando se tem pouco,
assim como tudo é pouco quando se tem demais.
Prefiro ter a ti que não me falta nem me sobra.
E se te faz bem, te traço um rastro de saudade pra me seguir
Não posso te dar a vida que sempre quis, pois essa vida já é nossa.
Que suma tudo, que suma o mundo. 
Tenho a ti e já não preciso de nada.
E o Sol, que ali dava as costas, 
hoje se foi. 
Mas, então, veio a Lua. 
Deixe que nos banhe.
Se o sol é sinônimo de vida, a lua pertence ao amor.
E eu prefiro mil vezes amor do que vida, 
pois sem amor que vida teria?
Ah! o eterno suspense do amanhã
Suspense pra eles, pra nós não. 
O nosso está garantido
Está seguro dentro daquilo que somos.
Tão certo, 
tão perto, 
tão vivo.