quinta-feira, 29 de agosto de 2013

ONDE FOI PARAR O JARDINEIRO?

Por Jonatas Rubens Tavares

O jardim, que sempre fora muito bem cuidado, agora estava em lamentável estado de abandono. O dono da propriedade recusava-se a procurar os serviços de outro que não fosse o seu bom e velho jardineiro.

-Onde foi parar o jardineiro?

Fazia já algum tempo que o funcionário havia simplesmente desaparecido. A polícia iniciou uma investigação. Mas nada: Nem mesmo a família foi capaz de oferecer pistas que levassem a algum lugar.

-Onde foi parar o jardineiro?

Foi o chofer quem primeiro teorizou: “A recém-falecida esposa do amigo jardineiro vinha quase sempre quando o sol estava prestes a se pôr, sentava naquele banco próximo ao balanço e ficava esperando pelo término do horário de trabalho do marido. E em todos os dias, sem exceção, ele colhia uma flor e entregava à esposa. Talvez o homem não tenha suportado as recordações.”

-Onde foi parar o jardineiro?

Não conseguiram descobrir, mas ao menos souberam porquê (por quem) ele havia desaparecido.



CENÁRIO ÍNTIMO

Por Rita de Cássia Alves

Há um quadro latente nos meus olhos.
Sorrateiro, brinca com a Íris de uma retina cansada.
Descansa por entre bancos no jardim do agora.
Ler no paraíso das cores é se apoderar de todas as molduras.
Inventar um reduto em que o corpo viaje nas letras, move o impulso 
de quem se julga encantado.
Não há quem dele se aproprie sem inventar um outro pincel.




A MALDADE

Por J. Paulo

Ninguém se recorda de quando a maldade chegou. Na verdade a maioria nem mesmo se deu conta que ela foi se depositando em todos os lugares. Nas ruas, nas paredes dos prédios, adentrando pelas casas. Como uma poeira que toma conta de tudo, até do ar que respiramos.

Naquele final de dia a vendedora estava se sentindo muito feliz. Suas metas já tinham sido batidas, a patroa tinha lhe feito um elogio e tudo o mais lhe sorrira. Ela até separara um pequeno presente para levar para o filho, que nesta hora já estava com o avô. Moravam os três num pequeno apartamento ajustados e ajustando-se com o que a vida tinha lhes dado. 

A jovem se atrasara um pouco para sair, por isto decidira tomar um ônibus numa avenida cerca de três quadras mais distante. E se ainda cortasse o caminho por uma ruazinha transversal, chegaria em tempo de pegar uma condução que a deixaria bem perto de seu prédio, recuperando então o tempo.

A maldade pode tomar muitas formas e jeitos. Pode vir de modo claro e 
violento; mas também pode ser sutil, suave, quase misteriosa.

Os três rapazes não eram mais do que uma sombra única, naquele terreno baldio, imerso na escuridão. Conversavam baixinho, com os rostos bem perto uns dos outros. 

A maldade não discrimina ninguém: homem ou mulher, velho ou criança. Ela apenas cumpre seu papel aos cuidados de quem a manipula.

A mulher que vinha pela rua atraíra o olhar  dos rapazes desde o momento que virara naquela esquina, muito pouco pela graça e beleza de seu caminhar, muito mais pela bolsa que carregava. 
Naquele horário a ruazinha era bem deserta, com casas pouco iluminadas
e voltadas para si. A nossa pergunta será sempre a mesma: por que tanta maldade?

O fato é que o primeiro golpe atingiu violentamente a cabeça, e que os outros tão certeiros não foram nem menores ou menos mortais. A única possível testemunha disse para a polícia que não conseguiu ver nada, pois assim que ouviu os barulhos e gritos saíra correndo, muito amedrontada. Ela passara por ali somente para conseguir alcançar sua 
condução. Também não conhecia nenhuma das três vítimas mostradas a ela por 
fotografia. O policial lhe relatara os possíveis detalhes da luta infrutífera dos três 
rapazes. E a vendedora perguntou: por que tanta maldade, doutor?


UTOPIA

Por Rafaela S.

Acordei, desconheço este lugar.
Sinto-me tonto e tenho a impressão de que estou fora de meu corpo.
Estão me levando. Quem? Não sei. Para onde? Não sei.
 Já não enxergo mais nada. Minha mente gira em alta velocidade.
Quando novamente consigo enxergar, estou no mesmo lugar estranho onde acordei.
Caminhos divergentes, paredes confusas, não há mais ninguém aqui.
Será um sonho? Não sei. Será a morte? Não sei.
Percorro os caminhos onde estou, mas percebo que não saio do lugar. A única coisa que encontro
é um cão falante, se alimentando como gente.
Caio em mim, está demais,  é hora de parar.


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O ÚLTIMO CAPÍTULO DE CAVERNA DO DRAGÃO

Um dos desenhos animados icônicos dos anos 80 é Caverna do Dragão, a história dos seis amigos que entram num brinquedo de um parque de diversões e vão parar num mundo mágico cheio de perigos conquistou o corações de crianças, adolescentes e adultos de todo o Brasil, quiçá do mundo. Mas Caverna do Dragão deixou um grande vazio, pois a produção do desenho foi cancelada sem que o último episódio fosse ao ar. Esse episódio sequer foi produzido.
Um tempo atrás um suposto roteiro do episódio final vazou na internet, alimentando a esperança dos fãs em ver o tão esperado último capítulo dessa história. O ilustrador Reinaldo Rocha não deu ouvidos para as pessoas que disseram que esse roteiro é falso e resolveu produzir uma revista em quadrinhos contando essa última história dos pupilos do Mestre dos Magos, confira o último episódio de Caverna do Dragão:
caverna do dragao capa O episódio final de Caverna do Dragão
caverna do dragao 01 O episódio final de Caverna do Dragão
caverna do dragao 02 O episódio final de Caverna do Dragão
caverna do dragao 03 O episódio final de Caverna do Dragão
caverna do dragao 04 O episódio final de Caverna do Dragão